domingo, 24 de julho de 2011

Homo doctus in se semper divitias habet.

Do saber vem o ter.

Eu estava cansada de ficar em casa, ou sair com as mesmas pessoas para os mesmos lugares.
Na verdade, eu estava cansada de esperar algo acontecer.
Eu fazia minhas coisas esperando que uma pessoa especial surgisse em minha vida, como nos contos de fadas, ou como em filmes americanos.
Eu esperava que algo especial acontecesse...
E essa minha passividade já estava me irritando.
Resolvi então fazer algo, ser a mulher super ativa que eu costumava ser... Me aventurar um pouco nesse mundão louco.
Nada muito extravagante me atraía... Meu mundo, para ser realmente bom, não precisava ser tão doido... Mas eu queria algo diferente hoje.

Me arrumei. Coloquei minha melhor roupa, depois de um banho maravilhoso.
Deixei meus cabelos secarem naturalmente. Eles ondularam e enrolaram levemente...
Eu gostei.
Deixei uma parte solta, prendendo a parte de cima em um coque mal arrumado.
Ficou bem informal, natural e bonito.
Me perfumei, me maquiei e saí.
Eu estava me sentindo bem com meu salto alto, minha roupa nova e meu sorriso no rosto.

Peguei minha bolsa com minha carteira, algumas coisas para retocar a maquiagem, se fosse necessário, e meu celular.
Entrei no carro com um destino em mente: O Balada Bar.
Uma boate gostosa, com música eletrônica e pessoas bonitas.
Cheguei absoluta e entrei...
Foi aí que me senti nervosinha.
Eu estava sozinha, em uma boate na cidade grande.
O que eu esperava dessa noite?
Mas não deixei que minha insegurança me atrapalhasse.

A música era contagiante.
Não dava para não dançar, ou para eu não me sentir linda naquele lugar.
As pessoas bem arrumadas sorriam, brindavam bebidas coloridas e se conheciam.
Fui logo para o bar, pois sabia que todos que estavam na boate passariam por lá pelo menos uma vez na noite.
Observei as pessoas. Vi de tudo.
Muitos homens lindos, muitas mulheres modelos, muitos beijos, muita bebida, muitos sorrisos.
Tudo muito.

Duas amigas, então, vieram em direção ao bar.
Lindas, bem arrumadas... E pediram suas bebidas...
Eu quero um Cointreaupolitan.
E eu, um Frozen Daiquiri.
O barman sorriu para as duas fazendo, com a cabeça, um movimento de aprovação.
Eu não tinha reparado até então, mas ele era lindíssimo.
Em menos de um minuto, os drinks estavam em cima do bar.
O da primeira tinha uma cor rosa fluorescente, e o da segunda, era meio branco.
Obrigada lindão.
Não há de quê, senhorita.
Eu quero você agora, como faço?
Desculpa não poder ajudar nisso.
Pensei que estava aqui para nos servir.
Acertou senhorita. Mas só nas bebidas...
Você não é comprometido é?
Não senhorita.
É hetero?
Sim, sou.
Então o quê?
As senhoritas desejam mais alguma bebida?
Não, desejo você... E aí?
As moças quase o engoliam do outro lado do balcão... E ele, sempre sorrindo.
Eu não pude não prestar a atenção na cena.
Não estou interessado. Com licença. Deseja algo senhorita?
E deixou as amigas de lado, para me atender...
As duas saíram irritadas, como se tivessem sido, pela primeira vez na vida, dispensadas por um homem daquele porte.
Ah, é a primeira vez que venho... Pode me arrumar algum cardápio, coisa assim?
Com certeza! Um momento...
E procurou, na parte inferior do balcão, algo com os nomes e ingredientes das bebidas.
Aqui está, senhorita.
Obrigada... Você tem que aguentar quantas mulheres assim por noite?
Perguntei puxando assunto, enquanto lia os nomes estranhos dos drinks.
Eu pude ler, por cima, nomes como Golden Dream, Ferrugem, Tropial Peach, Manhattan, Caress e Crazy Mint.
Ele me abriu um sorriso gostoso.
Ah, encontro muitas desse tipo, todas as noites... Já nem conto mais... E minhas respostas são quase que automáticas.
Você deve ter perdido a conta de quantas mulheres já se envolveu por aqui, então...
Eu nem me envolvo mais... Perdeu a graça, se é que quer saber.
Mas elas eram lindas.
Sim, eram... Mas mulheres que chegam chegando assim, têm graça só no começo... Depois perdem o encanto. Hoje em dia, nem olho mais. Para mim, elas parecem todas iguais.
Entendi... Quero dois Crazy Mint.
É pra já. A senhorita está com quem? Com perdão da indiscrição.
Sozinha.
Os dois Crazy são para a senhorita?
São sim.
Aquele sorriso branquinho dele diminuiu um pouco quando disse que ambos eram para mim.
Esse é um coquetel ligeiramente forte, senhorita...
Tudo bem.
Ele ficou parado me olhando. Eu sorri.
O que foi?
Posso lhe oferecer uma outra bebida? Aposto que a senhorita irá gostar.
Eu fiquei surpresa... Por que não poderia ser a bebida que eu tinha escolhido?
O que tem de errado com a minha?
Nada senhorita, é um bom coquetel... Mas já vi mulheres fazendo coisas bem extravagantes com o Crazy... Pensei em lhe oferecer algo diferente... Algo que combinasse mais com seu porte.
Eu gostei... Não sabia se estava entendendo direito, a música era alta... Mas gostei.
Meu porte? Bom... O que tem em mente?
E enquanto conversava comigo, ia preparando meu drink. Garrafas giravam, ele dançava de forma sutil e fazia malabares com os instrumentos que tinha.
Tenho em mente o Gala Day's. É uma bebida mais suave... Mais doce, como seu sorriso... Um pouco de café, leite condensado, sorvete de creme, vodka e licor Chocolate Mint, já que queria um coquetel de menta...
Parecia realmente delicioso... E ele era muito rápido...
Foi fazendo tudo enquanto falava comigo. O vi batendo tudo na coqueteleira, colocando no copo coquetel e adicionando uma pedra de gelo.
Uma pedrinha de gelo é o suficiente para derreter o sorvete e gelar as bebidas... É uma batida mais suave, mais elegante...
Ele segurou o copo na minha frente esperando que eu o pegasse.
Eu sorria.
Nossa, impressionante! Você é rápido... Bom, vejamos...
Eu provei e era maravilhoso. Ele ficou me olhando na expectativa.
O que achou?
Nossa... Muito bom!
É por conta da casa.
Isso tinha me pego de surpresa.
O quê?! Não... Eu vou pagar, valeu muito a pena... A bebida é ótima!
Não senhorita, é por minha conta, faço questão...
Tem certeza? Qual seu nome?
Tenho certeza... Gabriel... E seu nome, senhorita?
Laura.
Eu saio do balcão daqui uma hora, Laura... Se importaria se eu te procurasse?
Ele era lindo, educado, atencioso... Eu tinha adorado tudo nele...
O estilo, as roupas, o cabelo, o sorriso, a voz, o perfume que eu sentia do outro lado do balcão, a agilidade... A forma como ele me olhava nos olhos...
Não, claro que não...
Fico feliz... Fazia muito tempo que não me interessava por alguma mulher daqui da boate...
Eu devo ter ficado vermelha, porque ele continuou...
Você é bem diferente delas... Quero te conhecer melhor.
Tudo bem, a gente conversa... Vou ficar por aqui mesmo... Perto do bar.
Certo senhorita, até depois então... Qualquer coisa, é só me chamar.
Obrigada.

Ele sorriu para mim, deu uma piscadinha e se afastou para atender as outras pessoas.
Eu sorria enquanto bebia minha deliciosa batida.
Eu tinha feito algo... Estava ativa!
E algo tinha finalmente acontecido...
Daí por diante eu não sabia o que aconteceria...
Mas já tinha valido a pena, para mim.






terça-feira, 12 de julho de 2011

Laetitiae proximus fletus.

O riso está perto do pranto.

Só se for o chorar de tanto rir...
Sorria, amigo.
A vida é tão bela!
E tão curta...
Vamos fazer valer à pena?
Isso!!
Vamos fazer gostoso...

Ponha uma música boa...
Ouça "Fast Car" de Tracy Chapman, "Feeling Good" de Cy Grant, "Turning Tables" da Adele ou "Young Blood" de The Naked and Famous.
Ouça Frank Sinatra, Louis Armstrong, Freddie Mercury...
Tony Bennett, Nat King Cole, Bruce Springsteen...
The Cranberries, Yanni, Pavarotti... 
Jack Johnson, John Mayer, Aerosmith...
O Rappa, Lenine, Chico Buarque...
Feche os olhos.
Dance... É só você e você mesmo.

Arrume-se, ou desarrume-se.
Solte os cabelos, balance-os...
Ponha uma camiseta surrada, ande descalço.
Deite na sua cama bagunçada.

Se jogue.
Saia desse plano...
Imagine, fantasie e sonhe...
Tire o dia pra você.
E não se esqueça de sorrir.

Pegue algo para beber ou comer.
Algo que goste muito.
Se lambuze.
Passe a lamber dos dedos... E os lábios.

Espirre algum perfume muito gostoso, e que te lembre algo bom.
Inspire... Expire... Respire!
Sinta o ar entrando em seus pulmões.
Sinta o ar saindo.
Só não sinta o ar faltando.
Só se for de tanto rir.

Ria então.
Gargalhe.
Muito.
Alto.
De você e para você.

Se espreguice.
Se estique.
Se alongue.
Goste de seu corpo e o trate bem.

Pule.
Dance.
Se movimente como se não houvesse mais dia nenhum para isso.
Ninguém estará mesmo te vendo.
Só você poderá (com prazer!) rir de você mesmo.

Pense.
Reflita.
Veja tudo o que você é, quais são seus objetivos, quais são seus valores.
Se desculpe.
Se perdoe...
E agradeça.

Agradeça pelo o que tem.
Pelo o que já teve.
E pelo o que terá...
E sorria mais uma vez.

Emane coisas boas.
Seja uma pessoa educada, carinhosa, meiga.
Gentileza gera gentileza.
Seja uma pessoa boa de verdade, sem esperar nada em troca...
Simplesmente por ser.

Por fim, se ame.
E ame.
Sem medo.
Tudo o que é intenso, vale à pena.
Então viva intensamente.






terça-feira, 28 de junho de 2011

Vae mortuis!

Triste de quem morre!


Em um dia comum, você resolve fazer algo.
Algo simples, algo pequeno, corriqueiro, talvez sem muita importância...
E, a partir desse algo, alguma coisa realmente importante e mágica acontece.
Você tem um momento seu com você mesmo.

A música certa está tocando.
O cheiro certo exala de algum lugar.
Você faz coisas que fazia antes, mas que agora têm outro sentido.
Alguma coisa está acontecendo... É o universo conspirando a seu favor?

Esses dias saí de casa.
O sol estava quentinho e um vento passou pelos meus cabelos.
Senti um cheiro que me lembrou minha infância.
Era cheiro de felicidade, misturado com cheirinho de chuva.

Eu fechei meus olhos...
E sorri.
Era eu e eu mesma.
Apenas eu me entenderia.

Isso passou...
Não comentei sobre o quê senti.
E hoje algo mágico novamente aconteceu.
Meu coração ficou mais leve.

Escolhi umas músicas que mexem comigo...
Olhei fotos de anos atrás.
Conversei com algumas pessoas especiais...
E finalmente vi que não cabia mais em mim, nenhum sentimento ruim.

Eu estava livre, graças a Deus!
Eu me lembrei de quem e de como eu era...
Me lembrei de tudo e todos que me fazem feliz.
Me lembrei de tudo o que passei, plena.

Eu fechei meus olhos...
E sorri.
Era eu e eu mesma.
Apenas eu me entenderia.

Eu tinha ressuscitado!
Eu renasci...
Renasci voltando a ter minha essência, só que renovada.
Feliz, leve...

Agora eu poderia sorrir de verdade...
Poderia orar de verdade...
Poderia ser eu, só que ainda mais verdadeira.
E eu agradeço... Apenas agradeço.














Amém.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vultus est index animi.

O rosto é o espelho da alma.


O vazio.
Conhece?
Eu o conheço... Somos íntimos.
Ele vem de repente... Como uma chuva de verão.

Estou no meio da multidão.
Festas, casamentos, faculdade...
Pessoas passam, conversam e sorriem.
E ele aparece.

Acontece em uma fração de segundos.
É como se o ar faltasse, mas eu estivesse respirando normalmente.
E buracos se abrem...
Um sob meus pés e um, dentro de mim.

Logo minha visão escurece.
É como se eu enxergasse apenas aquilo em que estou focada.
Toda minha visão periféria fica negra...
E eu já me perco no espaço.

Eu não estou triste... Tampouco estou feliz.
Eu nem sei se estou lá.
É como se meu corpo estivesse.
Mas minha alma ou meu espírito não.

Tudo relacionado à mim, pára.
Meu tempo pára. Meu mundo congela.
E tudo está normal.
Todos estão normais.

É como se meu cérebro tivesse parado de trabalhar, mas eu ainda pensasse.
É apenas um vazio.
Não há dor. Não há raiva. Não há tristeza.
Não há prazer. Não há esperança. Não há felicidade.

É algo que acontece de uma hora para a outra.
Dura frações de segundos.
Não ocorre em tempos regulares.
Posso ficar meses sem ter a sensação. Ou ela pode voltar mais de uma vez na semana.

É como se eu não entendesse o motivo de estar naquele lugar, àquela hora.
É como se eu não tivesse nada, nem ninguém.
É como se não tivesse nem eu mesma.
É como se eu não existisse por alguns segundos.

E, da mesma forma que veio, tudo isso vai embora...
Repentinamente.
Como se tudo voltasse a fazer sentido.
E como se eu me reencontrasse.

O vazio é preenchido.
Minha alma, ou espírito voltam para meu corpo.
Minha visão clareia e eu volto a sorrir com os outros.
Eu me lembro exatamente o motivo de estar onde estou.

Me lembro que tenho tudo e todos.
Me lembro do quanto sou feliz.
Me lembro de como a vida é bonita.
E me lembro de como é ser eu.

E tudo está bem...
De repente eu não sou mais uma estranha no meio de uma multidão.
Sou alguém especial nesse meio.
De repente minha essência volta e eu também volto a ser simples e maravilhosamente eu.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Imago animi vultus, indices oculi.

Os olhos são o espelho da alma.


Muitos iam e vinham.
Inúmeros.
Eu me animava por um tempo... Mas depois passava.
Era algo vazio, repetitivo...
Mesmas palavras, mesmos sorrisos...
Mesmas mãos, mesmos beijos...
Mesmas pessoas.
E meu coração batendo do mesmo jeito.

Era de praxe eu me importar com os outros.
Era natural... Vinha de mim.
Agora eu queria que alguém fizesse isso por mim...
Era pedir demais?

Eu precisava parar de priorizar os outros, e olhar mais para mim mesma.
Acreditava que só assim eu encontraria alguém que se importasse mais comigo também.

Eu pensava em tudo isso, e sentia tudo isso deitada em um dos bancos da praça arborizada em que eu estava, ouvindo uma boa música.
Até que ele veio para me tirar do meu frenesi.
Meu melhor amigo. O melhor olhar. O melhor sorriso.

Ele se sentou no chão, ao meu lado, pegou um dos meus fones de ouvido e ouviu comigo a música que eu tinha escolhido.
Solzinho quente, ventinho frio...
Cheiro de folhas.
Estava tudo bem.
Ele só me olhou e sorriu.
Ele se importava.
Eu sorri de volta.
Era uma troca.
Eu me importava.

Não dissemos nada.
Ele colocou a mão nos meus cabelos e me fez carinho.
E fechamos os olhos.
Curtindo o ventinho, o cheirinho, o calor do sol, o carinho.
O momento.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Factum fieri nequit infectum.

O que está feito, feito está.

Meu coração batia angustiado fazia um tempo...
Eu já havia me esquecido de como era ser feliz, plenamente feliz.

Nós nos deitamos juntos.
Um momento pequeno, porém nosso.

Lembra de um dia que te disse que você poderia ir para qualquer lugar do mundo, ou até para o inferno, que eu te encontraria?

Apenas banei a cabeça afirmando que me lembrava do dia.
Tinha sido uma boa sensação ouvir essa frase vindo dele.

Esquece...

Meu coração angustiado agora mal batia.
Mais uma pessoa tinha se ido?

Por que esquecer?

Perguntei quase sem voz, com um vazio dentro de mim.

Porque não vou precisar te procurar, já que prometo não te deixar.
Nunca. Independente de qualquer coisa.

Eu sorri.
Meu coração voltou a bater.
Eu estava aliviada.
E melhor que isso, eu estava feliz.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Laetitiae proximus fletus.

O riso está perto do pranto.

Eu estava pensando hoje e um buraco se abriu no meu peito.
Não sei se era bem um buraco, ou se ele estava tão cheio de alguma coisa, que estava me sufocando.
Era uma sensação vazia, porém conhecida.
Eu a sentia com certa frequência.
Era, ao mesmo tempo, quente e gelada, me fazendo querer sorrir e chorar, de uma só vez.
Dificultava minha respiração, ao mesmo tempo em que meus pulmões se enchiam de ar.
Era bem complexo.

Já haviam me dito que eu tinha algo, mas não sabiam me explicar o que era.
É algo seu, uma coisa que emana de você... É natural.
E eu me avaliava e pensava no que poderia ser.

Eu queria abraçar o mundo com minhas próprias mãos.
Mas não queria estar sozinha. Queria que alguém me ajudasse a abraçá-lo.
Eu amava as pessoas e queria que elas fossem (e quisessem ser) minhas.
Queria que estivessem sempre fazendo parte da minha vida, mas sem que eu precisasse, a todo tempo, ir atrás delas.
Eu queria que elas quisessem ficar comigo, fazer parte de mim.

Não gostaria que isso parecesse possessão.
Eu gostaria apenas que todos entendessem que, para mim, algumas pessoas são importante demais para irem embora.
Cada uma, de um jeito, significa algo para mim e em mim e faz parte da minha história e de mim.
Eu gostaria apenas que eu pudesse me doar para alguém (ou uns alguéns), da mesma forma que eu gostaria que se doassem para mim.

Eu queria amá-las sem medo, sabendo que sempre estariam aqui comigo.
Queria poder ser eu, com elas.
Queria sorrir, dançar, cantar e ser feliz, sempre aumentando as pessoas ao meu redor, não revezando-as.

O que me apertava o peito, era sentir que isso era impossível.
As pessoas estavam cada vez mais parecidas com objetos.
Frias, secas, fúteis, vazias.
E tinham um prazo de validade.
Ficavam com a gente por um tempo, enquanto servissem, e depois, venciam, e iam embora.

Era isso o que eu estranhava.
Era isso o que eu não queria.
E era isso o que eu tinha...
Da parte de muitas pessoas... Graças a Deus, a mim, ou a alguma força maior, não de todas.


sábado, 14 de maio de 2011

Multum sunt verbis dissona facta bonis.

Do dito ao feito vai grande eito.

Estava frio e o dia era meu.
Eu fiz tudo o que queria.
Me dediquei à mim mesma... Arrumei meus cabelos, coloquei músicas que mexiam com meus sentimentos, e meu ânimo.
Comecei um bom livro, dei um 'bom dia' animado à todos e me tranquei em meu mundo.
Estava precisando desse tempo para mim.

O vento assobiava na minha janela.
Era um som que eu gostava de ouvir... Ele, em junção às músicas que eu tinha escolhido, me fazia sorrir.
Coloquei meu moleton favorito e curti a temperatura mais baixa.
Eu estava bem.

Fazia tempo que não me sentia bem.
Eu estava hoje.
Pura e simplesmente bem.
Eu senti falta de mim, uma falta que, com certeza, ninguém mais poderia sentir.
Eu sentia vontade de mim, e essa vontade, eu também tinha certeza que ninguém sentia.

Porque eu me amava como eu era.
E isso é difícil. Muito.
Eu amava meu mau humor, quando eu me dava ao luxo de senti-lo.
Eu amava minha forma de pensar, de agir, de tratar as pessoas e de me impor, mesmo que delicadamente.
Eu amava como eu era flexível e como, ao mesmo tempo, eu mantinha minha essência sempre.


Eu sabia que a mudança seria constante...
Eu nunca seria a mesma.
Eu escrevia, e era uma pessoa diferente.
Eu lia, e logo era outra.
Eu sorria, e já não estava mais no mesmo lugar.
Mas minha essência, meu eu... Bom, esse estava aqui dentro de mim, protegido.

Eu era a minha melhor amiga.
Minha melhor cúmplice.
Minha melhor paixão.
Eu era a melhor parte de mim.
Eu era a minha melhor amante.

Meu dia estava bom, com tudo o que eu amava.
Frio, uma leve luz entrando pela minha janela, me possibilitando de ler, música boa que fazia parte de mim e de quem eu era, um chocolate quente e muitos edredons.
Eu estava no meu ninho.
Feliz.

Meu celular vibrou.
Eu olhei e vi que alguém se lembrara de mim.
Um sorriso apareceu em meu rosto, me senti mais viva e vi que já não estava, com certeza, mais no mesmo lugar.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Accipe quod tuum alterique da suum

A cada um o que é seu (II).

Que dia especial!
Pois é, minha irmãzinha...
Você nasceu há exatamente 18 anos atrás.
Há quem diga que Deus põe, em nosso caminho, pessoas que nos fazem feliz, que nos fazem aprender e que enchem nossos corações de amor e felicidade.

Você é uma dessas pessoas em minha vida, com certeza.
Meu anjo.
Nós não somos perfeitas mas, ao mesmo tempo, somos perfeitas do nosso jeito.
Nossa relação, nosso amor e, de um forma bem estranha, nossa amizade.

Eu te amo, e amo pelo o que é.
Por ser tão cheia de si e, ao mesmo tempo, tão humilde.
Por não amar mais as coisas, ou mais as pessoas, e sim, por amá-las da mesma forma e com a mesma intensidade.
E por amar tudo com tanta intensidade.

Eu amo quem vive intensamente, quem ama intensamente e quem é intenso.
Parabéns por ser assim.
Autêntica, justa e por falar o que pensa, custe o que custar.
Sei que como eu te amo, muitas pessoas também amam por você ser assim!

Minha loira, minha menina, minha mocinha...
Minha irmã.

Como diz o O Rappa, "família é quem você escolhe pra você, é quem você escolhe pra viver".
Se você não fosse naturalmente minha irmã, com certeza eu te escolheria, minha irmã de sangue, alma e aprendizado.

Por fim, e não menos importante, parabéns!
Que Deus te ilumine, porque você merece.
E que sua vida seja repleta de felicidades, saúde e realizações.

Eu amo você, minha.
Sempre.
Independente de qualquer coisa.
Sem você, eu seria apenas, meia Marina.
Obrigada por me completar.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tam mala res nulla, quin sit quod prosit in illa.

Não há mal sem bem.

Faz 3 anos.
Quanto tempo... Quanta saudade.
Dizem que saudade é a palavra mais bonita do nosso idioma.
Pode até ser... Mas dói.

As pessoas se vão.
Umas por opção, outras não...
Fico feliz de você não ter ido por opção, mas sim, porque era boa demais para ficar nesse mundão.
Sinto sua falta vó.

Há exatamente 3 anos atrás, eu estaria com a senhora agora.
Estaria sentindo seu cheirinho, misturado com o cigarrinho que não largava por nada!
... ... ...
E eu nem ligava.
Era isso o que fazia de você, simplesmente você.

Há 3 anos, eu estaria ouvindo sua voz rouca.
Estaria olhando seus olhos cor de mel, enquanto a senhora sorria para mim, docemente.
Eu estaria te chamando de vovózinha só para te ver gargalhar para mim.
Eu estaria te abraçando apertado, para a senhora não ir embora.

Se eu soubesse...
Ah, se eu pudesse!
















Eu queria saber o que a senhora me falaria agora.
Não é justo.
Tão nova, não viu tanta coisa...
Ou viu?

A senhora sorriu quando eu tirei minha carteira de motorista?
A senhora se sentiu orgulhosa quando eu passei na faculdade?
A senhora vibrou com minhas conquistas?
A senhora chorou quando eu chorei vovó?
A senhora me protegeu, de todas as formas possíveis?

Acredito que sim...
Espero que sim.
Simplesmente sim.

Faz 3 anos.
Eu não me esqueço do quanto eu te amava.
E meu amor, não diminuiu.
Faz exatamente 3 anos, e eu odeio essa data.

Odeio e amo.
Foi da melhor forma que poderia ser, para a melhor pessoa!
Não há mal sem bem, certo?
O mal, é que a senhora se foi...
O bem, é que se foi, apenas fisicamente.
Te tenho aqui comigo, sempre agora.

Eu te amo vovózinha.
Muita saudade.
Cuida de mim?


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Alea iacta est.

A sorte está lançada.

Marina 3 x 4.
Vocês perguntam, eu respondo.
(Parte II)


è No que você gostaria de pôr um fim?
Gostaria de pôr um fim em várias coisas...
Em uma mágoa que carrego dentro de mim;
Na saudade que tenho de uma pessoa que não poderei nunca mais abraçar;
Em algumas falsidades que vejo por aí;
No teatro que algumas pessoas fazem;
Nas injustiças que percebo...
Enfim, dar um fim a tudo que não faz bem.


èQual é o seu comportamento diante de um boato sobre sua pessoa?
Bom, por causa da minha vivência, me acostumei a não dar a mínima para o que dizem por aí.
Não tive conhecimento de nenhum boato que me prejudicasse de alguma forma, e se tivesse, não sei como agiria.
Provavelmente tentaria mostrar às pessoas que me importam e que se importam comigo, que tudo não passa de boato. Mas, provavelmente essas pessoas já saberiam, por me conhecerem.
De resto, não ligaria.
Boato é boato e eu sei bem de mim.


è O que pode te deixar infeliz?
Tudo o que é ruim me deixa infeliz.
Ver as pessoas que eu gosto mal, ver mentiras, traição, pessoas agirem com maldade.
Raiva, falta de educação, pessoas frias e vazias.
Vingança, baixaria, agressão.
Cinismo, fofocas, metideza.
Tudo o que não traz dignidade, que é fútil e que faz com que eu me esqueça de como a vida é bonita.

è Desprezando quaisquer possibilidades no futuro, quais seus projetos, tanto na área profissional quanto na vida amorosa?
É difícil pensar em algo que não tenha futuro. Pensar só no HOJE, só no momento.
Mas, enfim... Hoje eu espero me aprofundar na minha área de estudo.
Desejo poder englobar o máximo de atividades que eu puder, pois me sinto muito bem ao ver meu currículo.
Gosto de saber que pude estar presente em debates, palestras, mostras e oficinas sobre assuntos diversos.
Enfim, hoje espero ser a melhor no que eu faço, por puro prazer.
Na vida amorosa, hoje eu não espero nada, de ninguém.
Espero apenas me curtir, me dar bastante valor, me sentir bem e dar uma chance para que outras pessoas também me façam bem.
No momento eu só quero ter, ao meu lado, pessoas que gostem de mim de verdade, me queiram bem e me respeitem.


è O que vale mais pra você: A aparência ou o que a pessoa é por dentro?
Essa resposta é meio manjada, mas é verdade.
É claro que, em alguns casos, beleza conta muito, mas...
Beleza não põe a mesa, certo?
Se o que queremos é curtição, o que vale mais é a aparência. Vide balada, barzinho etc.
Entretanto, se queremos algo a mais, o que a pessoa é vale muito mais.
É conhecendo o interior que enxergamos uma pessoa mais ou menos bonita.


è No âmbito familiar, existem muitos conflitos. Por outro lado, servem sempre como um tipo de porto seguro. Qual o momento em que precisaste mais da tua família e por quê?
Nossa, penso e penso, mas não lembro de algum momento específico.
Eu sempre guardei meus sentimentos para mim.
Claro que preciso mais de minha família nos momentos em que estou mal, e por baixo.
E sempre tive muito apoio e amor. Mas, principalmente respeito.
Sou o que sou, em boa parte, por causa deles, então eles confiam em mim e em minhas decisões.


è Conceitualmente, o que seria um amigo para ti? E quantos deles consegues enumerar?
Acho que um amigo é uma parte de nossa alma.
Eu sempre disse que acreditava que nossa alma era dividida em diversas partes, e que nossa missão nesse mundão era encontrar cada partezinha perdida dela.
Então eu acredito que amigos são pessoas que fazem com que eu me sinta bem.
Que não aceitem tudo, toda hora... Porque amigos não precisam concordar sempre, e dizer 'sim' sempre... Amigos devem ter a liberdade de nos contrariar.
Amigos devem apenas nos respeitar.
Amigos aceitam a verdade. Amigos não se magoam. Não são maldosos.
Amigos não mentem. Amigos são por nós, o que somos por eles.
Amigos são pessoas que nos dão liberdade para que sejamos nós mesmos.
Eu não fico enumerando quem considero amigo ou não. Sei que existem pessoas com as quais posso contar, mesmo que não estejam sempre comigo.
Sei que existem pessoas que me amam e que não desejam meu mal.
E sei que sou mais amiga de muita gente por aí, do que eles são de mim, assim como existem pessoas que são bem mais amigas minhas, do que eu delas.
Por mais que a reciprocidade não seja sempre equivalente, sei que existe uma relação de amizade.


è Você gosta de literatura?
Sim, gosto.
Sempre tive muito contato com literatura.
Amo criar e recriar textos. Compor e estudar escritos.
Amo os sentidos da língua. Amo livros.
Tudo o que é relacionado à expressão de ideias, sentimentos, entre outros, me atrai muito.


è Algo te inspira a escrever?
Sim.
Meus sentimentos, emoções e vontades me inspiram no momento.
Músicas, filmes e livros.
Frases, pensamentos e autores.
Todo o momento e todas as coisas relacionadas a ele, me inspiram.


è Qual teu autor preferido?
Sinceramente não sou fã de nenhum autor em particular.
Entretanto, tenho uma enorme admiração pelos autores filosóficos, como Platão, Sócrates, Aristóteles, Nietzsche, Descartes, Hegel, Rousseau...
Apesar de tê-los estudado há algum tempo, e ter esquecido e me confundido com várias de suas ideias, admiro a forma como eles conseguiam transmitir, através das palavras, o que sentiam e pensavam no momento.


è  O que você acha de amor platônico?
Acho que foge um pouco da regra de amor de Platão.
Se o amor, para Platão, se baseava nas virtudes, hoje essa concepção é bem deturpada.
Hoje rola de tudo.
Mentira, traição, individualismo, interesse, loucura... Se é que posso definir loucura.
Enfim.
Platônico, hoje, pode parecer meio doentio.
Acredito que algo que faça bem, seja mais saudável.
Platônico não faz bem.


è Você acha que é possível amar mais um amigo que um parente?
Claro.
Acho que amamos uma pessoa.
Amamos a essência, o coração, a ideia, os sentimentos, os pensamentos.
Amamos uma pessoa pelo o que ela é.
Não por ser da família, da roda de amigos etc.
Amamos pela sintonia, pela vibração.

Como diz minha banda favorita:
"Familia é quem você escolhe pra viver.
É quem você escolhe pra você.
Não precisa ter conta sanguínea.
É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia"
(O Rappa)


è Qual o significado de amizade para você?
Muitas perguntas sobre amizade... Que gostoso!
Mas já descrevi o que penso sobre amizade.
Claro que não é tudo.
Eu penso em muito mais... Em amizade de verdade.
Acredito que seja algo essencial.
Felicidade é mesmo o amor, e é impossível ser feliz sozinho... Certo?
Amizade é uma forma de amor.
É amor, é respeito, é companheirismo e cumplicidade.


Bom, por hoje é só.
Obrigada pessoal, e espero que gostem.
Um beijo.